Muito novo, descobreu a inata aptidão para captar as formas por meio do desenho; a natural facilidade para fixar os conceitos por meio da linha. A magia das cores. Assistiu à escola de Gende e Trasmonte em Padrão, onde coincidiu com Manuel Antonio, residente na casa do seu tio, o sochantre de Iria Flavia. Mas a morte do pai obrigou-no a encarar a precária situação familiar e, deixando os estudos, iniciou a vida laboral aos 15 anos, em Vila-Garcia de Arousa, onde viveu traumática esta situação devido à sua hipersensível personalidade. O afastamento da família e a dura jornada laboral na classista sociedade da Restauração favorecerom o seu despertar na consciência solidária e nos conflitos de classe. Vivências de Vila-Garcia forom descritas por Núñez Búa:
“Maside andava sempre com um caderno no qual debuxava barcos, gaivotas, marinheiros, mulheres a sachar no cabadelo à procura de berberechos. Era já como foi sempre: amável, sério, cordial, sem falangueria, de palavra sossegada e precisa… Um dia entrou na minha classe a me dizer que marchava para Santiago, porque não lhe atraía ren ser comerciante, e ofereceu-me o caderno que levava.”
Mas a Vila-Garcia chegavam-lhe também os desenhos com os quais Castelao colabora no Barbero Municipal, jornal de luta dos trabalhadores reunidos no partido de Maura, contra o cacique local, o liberal Manuel Viturro. Assim como “Algo acerca de la caricatura“: “No nosso tempo, a arte para ser tal deve ser séria e penetrada do mundo interior, tentará modificar os nossos sentimentos no sentido do bem, assim será útil.” Ser útil.

Precisamente, Maside começou a considerar que a ação social transformadora era um trabalho coletivo. Um trabalho coletivo para erradicar o atraso e a incultura, um trabalho coletivo na luta solidária com o mundo do proletariado, com o movimento operário do qual faz parte. E a sua obra tomará uma orientação didática de salvação pelo conhecimento, como patrocinava o Instituição Livre de Ensino. O seu futuro imediato será, pois, de debuxante político nos meios de comunicação. Primeiro para Vida Gallega (1918), Faro de Vigo (1923), El Pueblo Gallego (1925), depois as colaborações nos meios madrilenhos. Nesta época vai refletindo, passo a passo, os conflitos da ditadura de Primo de Rivera, interpretados por homes e mulheres do comum, seus protagonistas. O problema básico era, para Maside, que não existia democracia. Era preciso criar uma sólida opinião pública, acabar com a oligarquia e o sistema caciquista.
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